Afirmação

I

Considero-me um pintor abstrato.

Minhas principais influências são o expressionismo abstrato e a caligrafia japonesa.

A intuição é o núcleo do meu processo; através dela percebo o que o quadro tem a me dizer.

A tela em branco sempre é o momento dramático: o mundo não existe e espera para ser criado.

Um certo nível de tensão se impõe e o melhor a fazer é abraçá-la.

Gesto a gesto, a emoção se materializa em cor, peso e transparência.

Luto por cada fração de textura.

Devo ser preciso, mas lá onde a imprecisão é irresistível.

Vejo cada obra como o estudo do estudo que a precedeu.

Não existe um ponto final ou apenas é possível desconsiderá-lo.

A tarefa requer método, perseverança e boas doses de humildade.

(01/07/2022).

II

O ser humano não é uma construção; 

não é o resultado estrito de um processo racional, planejado; 

explodimos e rompemos com uma situação concreta; 

e depois seguimos em frente; 

não é assim com o edifício ou o motor… 

(28/11/2025)

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