A ARTE É O MEU JARDIM

I

O inacessível é belo.

A Arte é um sol e não existem dois artistas iguais debaixo desse mesmo sol.

O processo é como um novelo de lã de muitas pontas, cada uma delas leva a um outro novelo também com várias pontas; o processo é a essência da obra de Arte, sempre nova e inacabada.

Nós não somos uma construção; não o resultado estrito de um processo racional, controlado ; somos seres emocionais; explodimos e rompemos com uma situação concreta; e avançamos; não é assim com o edifício… o motor… a IA…

Minha Arte é feita de arrependimentos… mudanças bruscas… adensamentos… destruições… Minha Arte é o processo… talvez… Estou sempre tateando… curioso… enérgico… generoso à incorporação de todos os erros…

Penso em cada pintura como se um ser vivo fosse… como uma pessoa que desejo ou preciso conhecer… Aos poucos a descubro e a encontro… E ela indica, durante o contato, as possibilidades… como um diálogo na intimidade… Eu sei o que quero… E ela, às vezes, discorda… mostra certos meandros encobertos… Não penso… Acho que nunca pensei em adequação ao meio ou a quem quer que seja… E sonho com a simpatia espontânea… genuína… valiosa… Como a obra vem ao mundo…

Nenhum trabalho meu pode ser considerado formalmente pronto e acabado; em algum momento assumo ter alcançado o limite do processo, em geral quando um novo trabalho invade, aos poucos, o meu coração…

A inspiração não é manifestação divina, pois ela integra cada gota de suor do artista…

A inspiração se identifica com o Artista devotado à sua obra…

Conhece-te a ti mesmo: através da Arte.

II

A intuição conduz o processo.

Um certo nível de tensão ou crise acontece e o melhor a fazer é abraçá-la.

Gesto a gesto, a emoção se materializa.

Luto por cada fração de textura.

Devo ser preciso, lá onde a imprecisão é irresistível.

Vejo cada obra como o estudo do estudo que a precedeu.

Não existe um ponto final ou apenas é possível desconsiderá-lo.

A tarefa requer método, perseverança e boas doses de humildade.

O começo é o momento mais belo…

III

Arte enobrece escala, materiais e técnica.

Arte acima da matéria.

A obra monumental não é grande.

O pequeno formato excede.

A obra feita de ouro não é valiosa.

Um simples desenho a carvão nos encanta.

O virtuosismo é um vaso vazio.

A obra inacabada é fascinante.

Arte não é discurso.

Arte não é mercadoria.

Arte é beleza universal.

Ricardo Carranza, SP, 02/03/2026

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